Classificação funcional é baseado em parâmetros.
Por Evelin Scandal
Por telefone, conversamos com o professor de educação física adaptada e atletismo do Centro Universitário Celso Lisboa Seu título de especialista no assunto é tão vasto que o professor Ivaldo Brandão, ocupa hoje também o cargo de vice presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro-CPB
Reunimos as principais dúvidas sobre a classificação funcional, dúvidas tanto dos atletas quanto do público geral. O áudio não está um dos melhores, sendo assim, resumiremos em texto, porém deixaremos o áudio disponível, caso haja interesse em ouvi -lo.
1 0que é classificação funcional, como ela é feita, e qual a sua importância?
Resposta: Olha, a classificação funcional, ela tem um conceito, uma filosofia, um propósito. Que é alocar um atletas em classes esportivas de acordo como é que a deficiência atinge essa pessoa. Tem fator determinantes centrais de seu desempenho esportivo , então essa é uma filosofia, tem essa proposta de ver, quais são as ações motoras, quais são ausentes ou que ela apresente ou não apresenta e colocar numa classe, que a gente chama de classe funcional, para que ela possa competir sem levar vantagens sobre o outro a não somente sobre sua condição motora.
As classificações são realizadas por que equipe que chamamos de painel de classificação, com profissionais das áreas médicas, educação física fisioterapeutas ou ou ex-atletas com formação técnica adequada para realizarem as avaliações para chegar a um diagnóstico final. Geralmente o painel é constituido pelo conjunto de três profissionais.
Por necessitar de conhecimento da modalidade esportiva, cada uma tem um classificador específico, para analisar as necessidades motoras inerentes a prática daquela modalidade, sendo assim, cada federação tem seus classificadores técnicos responsáveis pelas classificações nacionais. Algumas têm classificadores internacionais. Essas classificações terão validade no território nacional sendo necessário validação internacional. Inicialmente a responsabilidade é das confederações para que ela tenha liberdade de realizar suas atividades, mas sempre sobre as orientações específicas da federação e o IPC. O CPB tem um corpo técnico de classificadores de várias modalidades. A CPB organiza cursos de classificação junto como IPC. O IPC, tem a responsabilidade de forma e homologar os classificadores internacionais e é o responsável por todas as classificações internacionais, junto com as federações internacionais e válida se forem corretas as classificações nacionais.
2 Evelin Scandal: Dentro destas classificações, é possível que por erros humanos, como por exemplo erro do classificador, um determinado atleta esteja competindo em classe errada? E no que isso pode ser prejudicial a este e a outros atletas?
R: Olha só, a classificação na realidade ela apresenta duas funções principais, que é a questão da elegibilidade, e um classificador colocar ou agrupar esses atletas para uma competição, então nessa elegibilidade a gente vê ai no esporte convencionais, por exemplo, você tem peso, tem judô, halterofilismo que basicamente eles tem , são classificados de acordo com seu peso, no boxe você vê isso, no judô, no halterofilismo , no esporte paralimpico ele vai lutar de acordo com a elegibilidade.oque seria isso? Ele passa por um exame médico, né, e que que esse exame apresentaria? Se ele é elegível para competir como deficiente. Então é o primeiro parâmetro para uma classificação, de esporte adaptado. Feito isso ele vai passar por outros exames outros testes para ver o potencial da sua função motora, então, qual a informação a classificação funcional vai te disponibilizar,uma estrutura competitiva, que pode se diferenciar de várias formas, que ele possa competir fazendo uso das suas formas, e função motora mas que ele utilize só seu talento, atividade, a sua estratégia para vencer, e não porque ele tem uma função motora superior ao outro que esta competindo com ele. Então essa é a forma que a gente coloca , o classifica e como a gente vai tentar minimizar o caso de alguém ta tentando levar uma vantagem .Obviamente que sua pergunta, nos faz levar a outra resposta,que alguém poderia estar levando vantagem? O classificador não poderia estar classificando um oponente? Poderia, porque existem aquelas pessoas que são borderliners, que estão próximo da linha de cima, mas estão abaixo da linha, ou seja, que poderiam estar tanto numa classe acima, quanto uma classe abaixo, ele apresenta parâmetros tanto para classe acima quanto classe abaixo, então para suprir, para descobrir ele precisa de muita referência, muita observação, para especificar, se classe de cima ou classe debaixo.isso a gente chama de erro interavaliador, isso pode acontecer mas a gente tenta minimizar para isso não acontecer.
Evelin redirecionando a questão: Bem, essa pergunta não foi necessariamente no fato de um classificador querer mesmo beneficiar um atleta, me referi ao fato de um erro de mesmo, mas eu entendi sua colocação.
Ivaldo Brandão: E isso as vezes , as pessoas acham, mas é muito difícil você harmonizar parâmetros, porque, um apresenta de uma forma, pode levar vantagem,mas quando vai para o somatório na perda ou não de função, vê que são exatamente dentro daquela classe, ai a modalidade as vezes favorece, por exemplo, se tem um problema de perna, e outro que tem problema de braço, ai vou somar a condição motora, eles tem o mesmo somatório motor, mas se você colocar para nadar, aquele que faz natação, que tem braço vai levar vantagem sobre quem não tem perna, então essas coisas são factíveis, então tem que medir sobre a função motora, ai vem a discussão, eu tenho problema de perna, ou de braço por exemplo, e vou escolher natação, eu posso levar desvantagem, mas a minha disfunção motora, condiz com aquela classe. Quem ta de fora, diz “ ah, mas é injusto você colocar uma pessoa para nada com quem tem problemas de pernas,mas se ao medir, ao classificar, os dois tem os mesmos parâmetros motores, não tem muito oque fazer, senão teríamos que ter 200 classes para atender as centenas de deficiências que aparecem,para ser justos, seria mil classes,isso não pode acontecer, eles se agrupam, então são deficiências semelhantes, classes funcionais motoras semelhantes.
Evelin Scandal: Certo, de fato essa seria minha próxima pergunta, meu próximo questionamento, – É mais comum na natação encontrar atletas com diversas deficiências competindo na mesma classe. Exemplo, Um atleta bi amputado competindo com portador de paralisia cerebral, diferente do atletismo que cada bateria competem atletas da mesma.
Ivaldo Brandão: Sim porque é aquilo que eu falei para você, as classes,elas são, tem um intervalo,muito grande, então esse intervalo permitevocê encaixar de acordocom a avaliação, essas pessoas,ai sem grandes prejuízos, ,obviamente os nossos atletas,também deveriam se espelhar em atletas de outros países, porque eles também escolheriam dentro daquele parâmetro de classificação,atletas que são quem tem os melhores resultados, isso não seria uma forma de classificação errada,seria aproveitar melhor o atleta que ele tem, dentro da classe que ele pode ficar, agora tem os erros, que a gente chama , os erros,de avaliação que eles são muito próximos, os da classe debaixo ou da classe de cima,são coisas que a gente tem que avaliar melhorpra poder,dar, como é que se diz, fazer uma análise,mais profunda só isso.
Evelin Scandal: Olha seu, senhor Ivaldo, as dúvidas são muitas, mas focamos nas principais dúvidas dos nossos atletas e nossos leitores, e uma dela é: Porque não abrem classificação fora do período de competição?
Ivaldo Brandão: Olha porque nós temos poucos classificadores, e pra gente fazer esse tipo de avaliação, mas tem várias competições que as classificações valem,aonde você tem condições de competir, um projeto de um tempo atrás, de construir um centro de avaliação, esse centro de avaliação a pessoa iria lá, iria usufruir os classificadores para que ele pudesse ir. O problema não é esse,o problema é, a gente compete em 16 modalidades,muitas com classificações semelhantes, então ai o custo para se montar um centro nacional de avaliação funcional, seria muito alto, teria que ter médicos, terapeutas funcionais, professor de educação física, ali disponível para que se precisar e nas diversas áreas, e isso custaria muito, muito caro, então para nós fica ruim, um custo muito alto e não compensa, mais fácil você disponibilizar mais vagas dentro de uma competição, para que uma pessoa possa ir La encontrar um profissional adequado pra orientar, essa seria a proposta que a gente estaria atendendo a maior parte, porque quando lida com dinheiro público, você sabe que é complicado
Evelin Scandal: Correto, e uma ultima pergunta, também baseada na duvida de uma paratleta brasileira, é sobre o vôlei sentado, recentemente houve mudanças no manual, e quem tem uma lesão neurológica, ou fibular como fica?
Ivaldo Brandão, Ora só, isso é oque eu te falei na questão da elegibilidade, para que ele possa estar classificado, competir como um deficiente ele tem que perder força motora,de acordo com a modalidade, se for para a bocha você tem um parâmetro , se for para o vôlei é outro, então vai depender , eu não sei qual a gravidade da lesão desta menina,ou desta pessoa que voe esta falando, se ela tiver um problema de nervos fibular,e essa lesão não esta causando,perda de função motora significativa, que ela não possa levar vantagem sobre outra, ela poderá jogar, agora quem vai definir isso é uma tomografia, é um atestado médico, é um processo que ela tem que passar antes, para poder coloca-la como uma competidora sem antes desses exames, médicos específicos, ela não vai ter a elegibilidade necessáriapara que possa , quanto a um problema neurológico,é somente um exame mais específico uma tomografia, ou algum outro mais especifico, para traçar uma biografia para se ela realmente enfrenta e se ela é elegível só passando os tramites para saber, a gente não discute classificação sem ter os parâmetros corretos, –
Evelin Scandal : Uhum, é no casso dela, ela não mexe os pés, e não tem força nos quadríceps
Ivaldo Brandão: Mas tudo isso é subjetivo, e a classificação não trabalha com subjetividade, ela trabalha com dados concretos. É igual a um cego, se não tem um olho, não é considerado cego, ele ainda tem 70% da outra visão. E as duas, se complementam, se você perde uma, você ainda tem a outra, e ai você tem todos os parâmetros de elegibilidade. Parâmetros nacionais,